sábado, 19 de novembro de 2011

Política Apolítica

Existem certas perguntas que não parecem ter resposta, e se têm, não encontramos com tanta facilidade quanto gostaríamos. A verdade é que, em um dos países com maior PIB do mundo, ainda vemos problemas como fome e miséria. Em um dos países com a maior diversidade cultural do mundo, onde conseguimos encontrar um judeu e um muçulmano almoçando em meio a uma conversa animada, ainda encontramos preconceito e mentes fechadas para o novo, ou o diferente.

Nem mesmo é necessário levantar a bandeira das minorias para questionar a tolerância e a intolerância brasileira, basta analisar a si mesmo e sua volta. Comentários maldosos contra religiões, times, estados brasileiros se espalham, e enquanto nos preocupamos com isso, esquecemos de ver o que realmente importa. O que importa é que “o poder emana do povo e é exercido por meio de representantes eleitos ou diretamente nos termos da constituição”. Encontramos em nosso dia a dia, insatisfação por parte de uma juventude que questiona Deus e o mundo e declara sua vergonha ao Brasil e aos brasileiros à plenos pulmões em meio a redes sociais, hasteando a bandeira dos rebeldes com causa, mas sem atitude.

No contexto social brasileiro o que vemos é uma juventude dotada de uma pseudo-consciência politica, pronta a criticar, mas sem vontade alguma de agir.

Gritar por uma nova revolta de estudantes sem que, no entanto, os estudantes se movam por causas de valor, se torna apenas gritaria sem objetivo. É mais fácil reclamar na frente do computador, acusar aos outros, esperar que o mundo aja para que não precisemos sair de trás de nossa muralha digital e mudar de atitude. É muito simples criticar os rumos políticos do Brasil, mas parece que se torna mais complicado agir de maneira política. Então encontramos muitos militantes de uma política apolítica.

Muitas vezes vemos a confusão da voz ativa, com a baderna típica. Então voltamos a uma das questões que parecem não ter resposta. Como nossa juventude pode ser a portadora de tão grande revolta conformada?

Vivemos em um Estado Democrático de Direito, mas fale sobre democracia e veremos reclamação, encontraremos quem diga que é uma teoria bonita, o governo seguindo o desejo de muitos, mas respeitando as minorias, quem diga que nunca irá mudar. Brasileiros que se esquecem de que todo o poder emana do povo e é exercido por meio de representantes eleitos ou diretamente nos termos da constituição. É mais fácil ser apolítico, reclamar sem culpa, não sentir a consciência pesar.
Fale que é um país de Direito, regido por leis, e o que veremos é um povo que reclama que a justiça não funciona, que não há salvação, que os inocentes são presos e os grandes corruptos são soltos, mas quem é o povo que vota em um presidente que sofreu impeachment? Quem vota naquele que rouba descaradamente? Dizer que não há salvação é simples, ocupar Brasília exigindo mudança, sair em marcha por São Paulo em pleno feriado se torna uma tarefa complicada. Dá muito trabalho para nossa juventude que só quer evitar a fadiga.

Então encontramos movimentos interessantes, imagens indignadas ao entrarmos no “Facebook”, criticando ao povo brasileiro por aceitar bovinamente dólares em cuecas e meias, corruptos pedindo a benção de Deus – seja lá qual deus for esse — para o dinheiro roubado de cada dia. Mas quem faz parte deste povo brasileiro?

Enquanto a juventude apenas se revoltar por uma causa sem tomar atitude alguma continuaremos tendo palhaços eleitos e nós vestiremos o nariz vermelho. Enquanto os jovens continuarem mantendo sua postura de grande consciência política “Apolítica” teremos um Brasil que deveria nos orgulhar, mas do qual temos vergonha. Enquanto isso acontecer continuaremos com perguntas sem respostas como “Existe alma?” ou “Existe um Deus?”, talvez fosse até mesmo conveniente perguntar “Existe politico honesto?” e “Realmente existiu revolta estudantil?”. Mas existem duas perguntas que acredito poder responder. De onde viemos e para onde vamos?

Com nossa política apolítica posso dizer: Viemos do mar e iremos para o buraco.

1 comentários:

  • MILLA ELLER DIRETORA EXECUTIVA says:
    28 de agosto de 2015 às 04:15

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